Na terceira candidatura a prefeito, o senador conseguiu reduzir seus índices de rejeição e avançar no eleitorado católico, que temia votar num bispo da Igreja Universal.
Mas é o apoio maciço dos evangélicos, um terço da amostra do Datafolha, que garante a folga na liderança. Entre os pentecostais, Crivella bate Freixo por incríveis 91% a 9%, em votos válidos.
Após uma série de derrotas, o senador abrandou o discurso e passou a investir numa imagem de moderação. Fez acenos às minorias e prometeu até manter o apoio oficial à Parada Gay. Nem parece o político que, há apenas dois anos, definia a homossexualidade como “pecado”.
Combinando o novo figurino light a uma plataforma liberal na economia, Crivella reduziu a resistência de setores do empresariado e da classe média que se sentiam órfãos no segundo turno.
Ao mesmo tempo, o senador se esforçou para replicar o modelo de grande aliança que há 13 anos sustenta o domínio do PMDB no Rio.
Nas últimas semanas, ele colecionou apoios de todas as máquinas que operam nas áreas mais populosas da cidade. Não dispensou ninguém, de vereadores ligados a milícias aos que controlam centros assistenciais.
Já estava aliado à família Garotinho e agora conta com o clã Bolsonaro. Resta saber que tipo de compromissos ele terá que cumprir se chegar ao poder nessas companhias.
Do outro lado, Freixo ficou emparedado pela falta de novos apoios e pelo estigma de radicalismo do PSOL. No pós-impeachment, suas bandeiras de esquerda parecem assustar mais o eleitor de centro que a sombra do bispo Edir Macedo, tio de Crivella.