Grupo brasileiro desbanca concorrente e fecha negócio com francesa Sanofi, dona da marca Medley

A EMS e a francesa Sanofi anunciaram nesta sexta-feira a assinatura de um acordo definitivo de compra e venda de 100% da Medley, uma das principais marcas de genéricos do Brasil. A Sanofi é dona da Medley hoje. As empresas não revelaram o valor do negócio, mas no mercado a transação está sendo avaliada em R$ 3,2 bilhões (US$ 600 milhões).

A Medley tinha recebido propostas da indiana Sun Pharma e das brasileiras Hypera, Biolab e Aché, segundo o jornal Valor Econômico. mas acabou vencendo a disputa ao oferecer um valor maior que suas concorrentes.

“Foi um processo extremamente competitivo, com tantas outras empresas de mercado, mas conseguimos concluir junto com a Sanofi a assinatura de um acordo definitivo para aquisição de 100% das ações da Medley, uma das marcas mais conhecidas de medicamentos genéricos do Brasil, e uma empresa muito bem administrada”.

Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.

A EMS é líder no setor de genéricos com algo entre 23% a 24% de participação nesse mercado. Com a aquisição, vai incorporar mais 7% a 8%, chegando a uma fatia de cerca de 30%, mantendo a liderança. Mesmo com o avanço, o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez disse que não haverá concentração de mercado.

Os genéricos são medicamentos que contêm os mesmos ingredientes ativos, na mesma dosagem e forma farmacêutica que os medicamentos de referência, mas por lei são vendidos com pelo menos 35% de desconto. Eles são produzidos após a expiração da patente de um medicamento pioneiro, permitindo que outros fabricantes façam versões equivalentes.

A Medley tem fábrica em Campinas e cerca de 900 funcionários e a sede da EMS está localizada em Hortolândia (SP), distante 20 quilômetros da unidade da Medley. Isso, segundo o vice-presidente, é uma questão geográfica benéfica para o negócio. Sanchez disse que a ideia é manter essa unidade, que deve receber investimentos, assim como o quadro de funcionários.

A partir da compra da Medley, existe a possibilidade de construção de uma nova fábrica, possivelmente em Manaus, onde a EMS já atua, por conta dos benefícios fiscais que vão permanecer, mesmo com a reforma tributária, disse Sanchez. A EMS anunciou recentemente uma nova onda de investimentos em expansão de fábricas, de R$ 1 bilhão nos próximos anos.

O vice-presidente afirmou que a EMS tem total interesse em todos os ativos da Medley e vai inclusive manter os patrocínios da marca. A Medley tem parcerias com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) até 2028 e patrocina os esportes olímpicos do Flamengo, o Sesi Vôlei Bauru e apoia individualmente as ginastas Júlia Soares e Lorrane Oliveira.

Empresa 100% nacional

A EMS é uma empresa totalmente nacional, e nasceu de uma farmácia há 62 anos. Tem desde medicamentos genéricos até produtos inovadores, como o lançamento recente dos injetáveis Olire (obesidade) e Lirux (diabetes tipo 2), baseados na liraglutida.

Outras inovações incluem o Lyberdia (gotas para TDAH) e o desenvolvimento de medicamentos nanotecnológicos. O DNA do grupo, disse o vice-presidente, é de alto grau de reinvestimento. A EMS lidera o mercado farmacêutico nacional há 20 anos, lembrou Sanchez.

A Medley, também brasileira, foi adquirida pela Sanofi em 2009, por R$ 1,5 bilhão. Sanchez avalia que a Sanofi, uma gigante do setor de farmacêuticos, com receita de 43 bilhões de euros em 2025, emprestou credibilidade e trouxe evolução para a Medley. Ele diz que a EMS agora vai ter um “bom aprendizado com esse legado” ao adquirir a Medley. A Sanofi vendeu a marca porque o mercado de genéricos deixou de ser uma prioridade global da empresa.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), há 102 laboratórios que fabricam genéricos no Brasil. Eles tinham participação de 40% no mercado brasileiro de medicamentos. A meta, segundo associação, é chegar a 45,12%.

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