Ao fim do primeiro ano de seu mandato, marcado por muitas turbulências com demissões de seis ministros sob suspeita de irregularidades, a presidente Dilma Rousseff, refém do apoio dos partidos políticos, não conseguiu nem com a propalada faxina impor uma gestão mais técnica no primeiro escalão do governo.

O maior exemplo disso está no próprio Ministério dos Transportes, pasta que passou pelo primeiro desmonte de equipe após denúncias de corrupção em contratos do setor: Dilma tirou do PR os principais cargos de comando do setor em Brasília, começando pelo ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM), mas praticamente todos os superintendentes do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), o braço operacional do ministério, permaneceram nos respectivos cargos, sendo 12 deles filiados ou indicados pelo partido.

O mesmo ocorre no Ministério do Turismo: com a saída do Pedro Novais e a chegada de Gastão Vieira, ambos do PMDB do Maranhão, os peemedebistas ainda comandam as duas principais estruturas da pasta, a secretária Nacional de Políticas para o Turismo continua sendo Bel Mesquita (PMDB-PA), ligadíssima ao ex-deputado e senador pendurado na Lei da Ficha Limpa Jader Barbalho; e a Secretaria Nacional de Programa de Desenvolvimento do Turismo é de Fábio Rios Mota (PMDB-BA), ex-braço direito do ex-ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional.

Em outros ministérios, inclusive nos carimbados pelos escândalos, os partidos continuam fortes. Mesmo naqueles que são monitorados de perto pelos chamados “fiscais da Dilma” ou pela “blindagem presidencial”. Ainda assim, os políticos reclamam do controle palaciano, dizem que o governo está parado pelo excesso de zelo para coibir abusos, mas, com a popularidade da presidente em alta, não sabem como dar o troco e mudar o jogo.

Na Agricultura, após o escândalo na Conab que culminou com a queda de Wagner Rossi, investigado pela PF pela suspeita de contratação irregular de prestadores de serviço para o ministério, a presidente pôs lá o deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), ministro de sua confiança e que inibe o poder do grupo indicado por Rossi, ou sob a tutela do PTB do líder Jovair Arantes (GO).

Apesar da fidelidade nas votações do Congresso Nacional, as legendas aliadas não escondem mais a insatisfação com o modelo adotado por Dilma de centralizar todas as decisões e de, aos poucos, desmontar os feudos partidários herdados da gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde que ela assumiu tem feito mudanças gradativas para reduzir a influência dos partidos nos ministérios. E os aliados políticos não gostam muito.

“Os ministros têm medo. Há muita centralização. Ninguém tem autonomia. Resultado: os ministros estão engessados”,observa o vice-líder do governo no  Congresso, deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Há forte descontentamento em quase todos os partidos. O PR ainda espera ser recompensado na reforma ministerial – depois que foi defenestrado do Ministério dos Transportes, o partido ainda manteve cargos nos estados, mas reclamam que não tem mais o poder de decisão no setor. (Da Agência O Globo.)


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