Ao todo, 120 deputados aproveitaram a janela para trocar de legenda sem sofrer punições, com movimentações concentradas sobretudo na reta final do prazo legal.
O Partido Liberal (PL) encerrou o período da janela partidária com um crescimento expressivo, ultrapassando a marca de 100 deputados federais e garantindo a maior representação na Câmara desde 1998, ano em que o antigo PFL chegou a 105 cadeiras. Com um salto de 86 para 101 parlamentares em apenas um mês, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro distanciou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) e consolidou-se como a principal força numérica na Casa.
A expansão do PL foi fortemente impulsionada pela proximidade das eleições, pela pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e pelo aproveitamento de desgastes nos quadros do União Brasil. O União Brasil foi o partido que mais cedeu quadros para o PL, impactado por crises estaduais, disputas com o PP no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e arranhões de imagem ligados a dirigentes no escândalo do Banco Master.
Entre os deputados que migraram para o PL estão Alfredo Gaspar (AL), ex-relator da CPI do INSS; Dani Cunha (RJ), filha de Eduardo Cunha; Rosângela Moro (PR); e Rodrigo Valadares (SE), que chegou a atuar como relator do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A sigla também se fortaleceu no Senado ao filiar o senador Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB).
Com a debandada, a bancada do União Brasil no Senado encolheu drasticamente, passando de oito senadores no ano passado para apenas três: o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Davi Alcolumbre (AP), Professora Dorinha (TO) e Jayme Campos (MT). Apesar das perdas, o dirigente da legenda, Rueda, minimizou o impacto, afirmando que o cenário estava “tudo dentro do esperado”.


O intenso vaivém partidário registrou também episódios inusitados de indefinição. O deputado Padovani (PR), por exemplo, anunciou sua saída do União Brasil para o PL em 25 de março, avisou que iria para o Republicanos em 1º de abril e, no final, decidiu migrar para o PP de olho em uma composição majoritária no Paraná.
O próprio PP, aliás, registrou crescimento, passando de 50 para 54 cadeiras. O PSD manteve sua estabilidade com 47 deputados, enquanto o PSDB, tentando se reerguer do pior desempenho eleitoral de sua história em 2022, chegou a 19 integrantes — tendo entre as novidades o deputado Juscelino Filho (MA), ex-ministro das Comunicações de Lula.
Na outra ponta da disputa política, o PT não conseguiu capitalizar o controle da máquina federal e seguiu praticamente no mesmo patamar, registrando até uma leve queda. A legenda de Luiz Inácio Lula da Silva passou de 67 para 66 deputados após a saída de Luizianne Lins (CE) para a Rede.
Embora se mantenha como a segunda maior bancada, a distância do PT para o líder PL aumentou. O enfraquecimento do PDT, tradicional aliado que terminou a janela com apenas seis integrantes, é motivo de preocupação extra para os petistas. A única boa notícia para o governo foi o crescimento do PSB, que ampliou sua bancada de 16 para 20 parlamentares.
Apesar desse avanço pontual, o balanço final da janela partidária deixa claro que a esquerda segue em desvantagem numérica, e o Palácio do Planalto continuará dependendo fortemente das siglas de centro para conseguir aprovar seus projetos em votações cruciais no Congresso. A Câmara dos Deputados formalizará a nova composição oficial nos próximos dias.




































